segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Eu mesmo, mesmo eu?


Cansei de alguma coisa que se repetiu
Não sei dizer, mamãe, se é esse cheiro
Não sei dizer se são os gestos
Sei que cansei, mamãe.
Cansei da meiguice a mim cuspida
Cansei da monotonia
Cansei dos mesmos problemas
Cansei, mamãe, da mesmice das lágrimas
Cansei até de cansar
Cansei de esperar,
De querer.

Ah.. cansei.
Não sei, mamãe, o que isso significa
Mal sei contar meus dedinhos do pé
Mas sei sim, mamãe,
não sou qualquer filhinho
Não sou o mesmo do último...
olha pra mim mamãe, sou único.
pára de me tratar, de novo,
como o mesmo:
Eu não gosto mais de rosa!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sobre amizades

Dor que dói em mim,
Afinal é tão minha assim?
Não, não...
essa dor é de outrem.
O que te abate então, coração?
O gostar de doídos,
Doloridos doidos
Que agora choram.
- É que sofri...
tão junto contigo,
- E agora... (respiro)
o meu sangra também.
- E agora? (prefiro)
Agora consigo ver-te nos olhos
E amar-te ainda.
Sim, eu também choro.
Tento entender seus motivos:
"Distanciei-me por não saber amar."
Vácuo nosso...
- Alguém sabe amar?
Vc não merece amor?
Porque se condena a tanto?
Quis perguntar-te se merecia o meu.
" O amor não existe"
- Amor não se agradece.
Não tive o que responder hoje, lembra?
Não pude agradecer e nem retribuir.
Silenciei-me sincera,
Abri-me: já te amo.
Não há fuga,
não há resposta
Não me agradeça
Não é pela retribuição.
"A vida faz essas coisas."

Posso pedir para começar a amar-se?
- Posso te pedir uma coisa?
Procure o que é que haja em você que te faça especial.

É que a felicidade dá medo, mas está muito ao nosso alcance.
E ela - essa felicidade bonita- é a que mais te deseja.
Entregue-se a ela, menina!
E se ame de verdade.
- Seu riso pode vir de dentro, acredite!

E o amor? Ah.. ele existe aqui sim.
- Pode nomeá-lo diferente, se você o tiver em si.
Mas permita-se amar ...
Queria te dizer para usar apenas a tecnologia.

sábado, 15 de novembro de 2008

Sobre disposição


Andei pelo lado errado da rua. E machuquei-me no buraco que por ali havia. Sofri e surpreendi-me com tamanha disposição. É... acho que era disposição o que havia me mim. Sofri por instantes. O mundo não desabou, meus tetos não ruíram e não havia lentas músicas sórdidas, com um tom de psicodelia, rock depressivo ou desespero. Minha face não se desmanchou em cores nebulosas. Minhas vistas não ficaram escuras e meu peito não doeu latente. Não contorci-me em lágrimas, não desaguei-me, não desejei a morte. Não arranquei minhas flores, apenas limpei meu vestido. Não atirei-lhe meus sapatos e nem cuspi-lhe palavras. Não praguejei todos os dias que vivi acreditando que chegaria a felicidade. Praguejei, sim. Praguejei aquele buraco e atribui apenas a ele a culpa da minha dor. Não, minha identidade não era culpada por isso. Não, nem a minha fraqueza, ou minha visão, ou meus devaneios acordada que me tiram do chão e me distraem da realidade. Não, não fiz isso. Não me culpei. Apenas dispus-me. Dispus-me a sofrer o que ali me trazia, ali, e não meu passado ou meu incerto futuro. E percebi que dispus-me à felicidade, dispus-me a tê-la. Entendo. Estou disposta a sofrer, afinal, estou tão disposta à felicidade.... que disponho-me por inteiro a viver!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Louca abstração


Ontem conheci uma pessoa que me lembrou alguém. Fiquei por um tempo a prestar-lhe atenção na tentativa de saber de quem se tratava. E aí reparei lentamente os movimentos todos, repetí-lhes em minha mente enquanto gesticulava, e, até fechei por segundos os olhos buscando, procurando...
Até que descobri! Descobri quem me lembrava. Até que veio subitamente em mim um estranho espanto. Soube nesse instante que me lembrava de alguém que nunca conheci. Lembrava-me alguém que vi uma vez de longe. Acho que foi isso mesmo: uma vez. Alguém que já ouvi sobre, alguém que sei alguma coisa da vida, já vi em alguma foto. Como é que explico esse sentimento? Realmente me lembrei dessa pessoa, e cabia exatamente no jeito de rir, na voz, no jeito de mexer no cabelo. Cabia exatamente com o que tinha em mim. Nunca ouvi-lhe a voz e nem sei como sorri, apenas imagino como mexe no cabelo.

Mas o pior desses momentos, foi a conclusão que obtive. A conclusão de que estranho não foi a sensação de lembrar-me de alguém que eu não tinha uma concreta lembrança, estranho foi deparar-me com esse alguém em mim, embora nunca tivesse conhecido. Em mim já tinha apelido e sobrenome, já tinha medo e cara de riso. Como é que eu racionalizaria esse sentimento? É inexplicável. Pode até ser loucura mesmo. Mas que eu tinha essa pessoa em mim eu tinha, e que era daquele jeito ali, era.
Não, não tiro sua razão, é loucura.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ansiedade


Ela, encostada na cama, no fim do mês, no fim da noite, sem cigarro. Precisava dormir. E por mais que tentasse se distrair com um livro qualquer, sua mente lhe perturbava, a ausência lhe esvaziava.
Ao fim da primeira linha do livro qualquer, que pouco importa, seu olhar dedilha todos os elementos do quarto até alcançar a cômoda. Procura mais uma vez e constata: não tem nenhum cigarro lá. Nem unzinho!

O tempo passa nessa agornia de linha sem sentido e cômoda vazia. Até que alguém bate à porta. Ela responde. Pede, por favor, um cigarro. E o recebe. Sim, ela o recebe!
Feliz, o coloca na cômoda. Respira fundo aliviada. Assenta-se de novo, sorri de lado mirando-o. Pega o livro e deslumbra-se com sua capa. Agora admira seu título. Retoma, então, na primeira página sedenta pela historia.

Depois de linhas tranquilas e absorvíveis, fecha o livro, apaga a luz e dorme em paz.
Não, não era vício, não ia fumar. Precisava só da certeza da presença.
Lembrei-me de você. Precisava só da certeza da presença.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Vida de cinema


Os sonhos nos confudem
tal qual tela de cinema:
- Onde é o real?
De dentro da tela:
as poltronas, dos que assistem
e são assistidos.
O cinema nos assiste, meu caro,
somos todos ajudados.


Mas, e a mocinha?
Quer ela sair daqui?
Quer tocar o chão?
Deixar de voar e ver,
ver quem assiste sua TV?
Quer ela deixar a trilha sonora?
E voltar a vida em cores?
Será que quer ela encarar seus assistidos?
E ver se há mocinhos coloridos? Desafinados?
Será que quer ela uma vida real?
Quer descobrir se há por aqui um amor bonito?


Ah.. mocinha... olha para a vida!
Vê o seu desejo.
E se não gostar de viver...
Se não descobrir a música daqui,
pode voltar para seus sonhos,
pode voltar para as telas.
E tenha de volta sua trilha sonora,
guarde de novo seu afinado.
Mas vem dançar na chuva!
Se entregue ao viver....

sábado, 18 de outubro de 2008

Transeuntes terrestres


Tem dias que andando em meio a um ensurdecedor barulho de carros, pessoas, numa movimentação só, nosso ser se vê no ritmo do lado de fora. No ritmo da rotina da cidade. E andando em meio a um turbilhão de pensamentos que compõem um cenário de um terrível trânsito interno, como o de SP.
A gente respira fundo, pára e solta o ar como que expelindo todos esses pensamentos. Mas não resolve.
Daí alguns passos você atravessa a rua, mira o alvo e a direção em que se atirará. Mas que ingenuidade! Ter de volta seu destino não te livra do trânsito, não desse tipo de trânsito.
Então, se vê sacudindo os pensamentos de olhos fechados. Abre os olhos e nisso tudo passaram-se apenas segundos. Só te sobra dar uma risada de canto quando percebe a inocência de querer espantá-los com um movimento mais brusco da cabeça.
- Não! Não resolve! – sussurra pra si mesmo.
Ninguém na rua notou esse seu piscar de olhos e essa sua tentativa de esquiva. Afinal de contas os humanos são tão iguais que se parecem até no fato de não se enxergarem no outro. Ninguém nessa Terra imagina que o ser que respira e corre do mesmo lado que você na calçada, também chacoalha as idéias e tenta esquecer qualquer coisa que perturbe seu sonho, seu sono.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Saudade

Saiu sorrindo e contando os passos da roda de amigos até onde se ia. Saiu sabendo de seus passos e se acalmando para o que viria. Entrou, então, no banheiro, olhou-se no espelho de relance. Podia ainda ouvir o zunido de tudo o que acontecia lá fora. Mas agora podia estar ali, tão longe de qualquer coisa. Fechou a trinca e assentou-se afim de refugiar-se de toda aquela música, de todas as sorrindentes. Lá poderia admitir o que tivesse em mente. Foi lá encontrar quem ali não estava. Foi estar só.
E estar só significava deixar os pensamentos rotineiros tomarem conta. De repente já estava a imaginar além desse refúgio um refugiado amigo. E já podia sussurrar qualquer coisa que quisesse sobre o que tava acontecendo lá fora. Podia até dizer que era muito bom poder encontrá-lo ali. E rir de qualquer piada que fizeram. Imaginou então como seria seu olhar no momento de admitir que estava querendo ficar ali mais tempo do que poderia, afinal haviam outras pessoas esperando para usarem o sanitário para outro fim que não conversar com alguém que ali não está. Fez alguma jura, pediu um abraço e se despediu. Realmente precisava ir.

Engraçado isso: Deixar a roda de amigos para encontrar alguém que não está. Engraçado essa mania de trazer para o físico nossos problemas internos. Quem disse que paredes garantem um refúgio? Engraçado pensar que estamos sós, quem disse que ainda que sozinho não se está com alguém? Quem é inocente de achar que a ausência não é também uma presença desesperadora no ser do saudosista?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pra não dizer que não falei (das flores, do mundo e de tudo)



Quero falar tem muito tempo.

Ansiando colocar qualquer coisa aqui.

E tenho muitos guardados, Mas....

Mas...

Sei lá porque inventaram o MAS! Afinal ele vem sempre cortar os nossos sonhos.

Vem sempre nos transformar em mortais.

e nos trazer pro chão!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Perdi


Queria escrever sobre a pipa e a flor, as do Rubem Alves.
Mas é que hoje eu perdi.
Perdi alguma coisa importante que não acho de jeito nenhum nessa bagunça.
Não encontro.
Era pequeno, mas tinha um valor enorme.
Cadê?
Como cachorro cavando a terra pra desenterrar o osso, farejando, caçando.
Ansiedade.
Tristeza.
Desespero.
Onde é que está, meu Deus?
Tem tanta coisa aqui nesse baú. Algumas insignificantes, outras preciosas.
Acho que perdi a mais valiosa.
Acho que me perdi. Não sei mais onde é que está o meu ser.
Perdi a mim mesmo.
Onde é que está o que eu acredito?
Onde é que ficou o meu ser?
Meu coração se foi?
Com tanta dor, a procura goteja no baú
Escorre... vermelho latente
e dos olhos, transparente
Com muita dor reconheço... perdi a mim no meu próprio baú.

sábado, 20 de setembro de 2008

Conversa



Acho que a gente pode falar sinceramente agora. Não tem mais ninguém por perto. Nem mais ninguém querendo saber o que que vai dar toda essa conversa.
- Vamo sentar ali?
(Suspiro) É bem difcil começar. - Até porque foi estranho demais como tudo aconteceu. Não sei como explicar e nem dizer o que eu realmente sinto. Mas o que importa agora também? Você já está ai esperando, balançando os pés e batendo qualquer coisa na mesa mostrando sua impaciência. Meus dilemas não te pertencem. E nem sei se já pertenceram.
- Pede para o garçom qualquer coisa. Pra preencher o vazio da mesa.
Da mesa, da conversa, do olhar.
Pede, mas volta!
Volta que talvez encher a mesa nos encha de qualquer coisa que se transforme em fala e que faça quem sabe a gente se entender.
To aqui esperando, acompanhando seu caminho de ida. E continuo dilemando minhas talvez possíveis falas diante dos problemas que criamos juntos.
Não sei por onde começo. Não sei se tem começo, nem sei se quero começar.
É uma agonia sem fim esse monólogo interno de que se fala tanto quando o problema é nao ter nada pra falar. Não sai nada.
E você volta com algo na mão. Nem conheço o que é. Nem reparei. Vi você por completo. E me prendi nos seus olhos. Por segundos passou-se aquele filme na minha mente.Tudo!
Você se sentou e, empurrando a cadeira, fez um barulho, que sinalizou minha volta brusca pra crua realidade do nosso vazio. Lembranças já não salvam mais. E talvez a gente se convença disso hoje.
Você enche o copo. E continua a expressar sua falta de paciência. Mas faz o que pra mudar? Nada!Não fala e nem se expressa. Só sabe me inculcar, porque nunca adivinho seus pensamentos. Já tentei brincar disso com você. Mas você é uma icógnita. Não dá jogo.
Você pergunta sobre mim. Eu volto a pergunta. Você diz que não tem nada.
A gente se distrae com os do lado. A fim de sair dali.
E, no fim, acho que a gente vai beber tudo, dizer quaisquer desculpinhas, ir embora pretendendo um sorriso. Você para o seu caminho, eu pro meu. Eu, inculcada, nervosa, dilemando muitos. E você..
Você eu nao sei como vai embora. Eu nunca soube ganhar esse jogo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Nosso espelho

Bombardeios, desses que aparecem na TV?
Acontecem entre nós.
Bombardeamos conhecidos, próximos,
roubamo-lhes tesouros
e deixamos cicatrizes, feridas.
Marcas eternas em suas vidas.

O preconceito que nos é tão repudioso?
Está aqui. Nessas simbólicas atitudes.
Nas concretas vivências.

Esta desigualdade tão odiosa,
É a nossa realidade.
É o caminho que tomamos.

O desprezo pelo interesse do povo,
começa no desprezo pelo interesse do outro.
A corrupção fortemente denunciada,
agride além de trabalhadores.

Olhai e vede:
Há guernica em nós!
O amor NOS falta!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Amor-próprio




O amor inculca,
E chega que incomoda.
Alguém pergunta:
Tem forma?
Será que me in(forma)?
Onde é que está?

E eu atrás de algo,
Algo que se assemelhe a este desejado,
Mas vou nos lugares mais inusitados.
E, confusa no meu caminho,
Olho no espelho e sei:
Não estou sozinha!

Continuo à procura,
Ainda quero encontrá-lo.
Descubro que o amor por mim mesma,
Está sim em um lugar inusitado
E, agora, mais inusitado,
que de tão perto
Jamais fora esperado.

Páro, olho pra mim e descubro
que aqui, bem dentro existe,
muito além de entulhos,
marcas desse amor
escondido.

E regando a terra em prantos,
carrego agora comigo
o meu mais que tesouro,
um novo amigo:
Esse amor,
que antes estava perdido.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Porta fechada*



E o interruptor estragou! Escuro e frio. Ele fica ali no canto, de pernas juntas e dobradas. Ele as abraça. Porque é o que tem pra abraçar. São elas o seu consolo. E se joga nelas. E as ama, porque só as tem pra amar.
Não há janela e, na verdade, se há, não dá pra achá-la. Tá tudo triste.
A porta está fechada há anos. E por dentro. Para ele ficar ali.. no canto.. em paz... com suas pernas.
Não dá pra olhar para o lado, não vê nada em cima, mas se acostumou com isso. De vez em quando, inventa de querer, de sonhar de sair, de voar, de ver por uma janela. Mas está cego. E triste. E parado. Só anda em pensamento.
Não vive o que devia. Se tranca. Não faz como queria, só sonha. Só imagina.
E o pesadelo é o que lhe resta de concreto, mas não tem mais medo, porque no escuro só tem ele e suas pernas. Ninguém vai aparecer....nem fantasma... porque ele trancou por dentro.
*REPOSTAGEM.... lembrei desse texto e resolvi postá-lo de novo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Até parece...


Vi um poeta, dos mais requintados, perder a fala ao se deparar com aquela a quem dedicava seus idolatrados poemas. E ele não é qualquer poeta. É dos melhores que se tem por aqui. Muitos o ouviam, o liam e sempre diziam das delícias de suas palavras. Falava poeticamente de tudo. Também, quem há muito não desconfiava da sua inspiração? Até parece que ninguém tinha notado que toda aquela prosa tinha dona. Que toda aquela melodia tinha uma dedicatória tão sonora... E como era belo aquele amor em prosa.... em poesia, em música!
Mas ainda me surpreendi! Como se fosse possível a alguém não agir assim.
Até parece que há quem não atropele as palavras quando a ansiedade e o suador tomam conta. Até parece que se tem idade pra essas coisas.
Até parece que esse poeta saberia o que dizer.
Até parece que alguém escapa do amor...
Até parece...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Vermelho batom


O mundo hoje mudou de cor. Ficou bem mais vermelho. E toda aquela calmaria da natureza, de imagens lentas ao som de música clássica, canção de passarinhos e força musical das cachoeiras com aquela vista verdinha, blá,blá,blá: Sumiu!
Não é esse momento o de agora. Não são essas cores, e nem mesmo esses sons. As pessoas não têm agora aquele sorriso bonito da TV nas propagandas da Doriana: não! Elas estão todas irritantes: desde as mães que falam demais aos pais que falam de menos. Das amigas muito engraçadinhas aos namorados que só assistem futebol, ... Qualquer atitude hoje, de qualquer um é irritante o suficiente.
E as teclas sofrem a agressividade de um cuspir com tamanha força e agressividade que se ouve da sala os barulhos do TEC-TEC do teclado. As unhas que ontem estavam bonitas, pintadas e crescendo. Hoje são roídas e "despintadas".
Então esse é o cenário: mundo vermelho! O fundo musical poderia até ser o rock do mais pesado com uma guitarra berrando e falando, se não houvesse na dona dos dedos que martelam o teclado uma dor de cabeça infernal. Bem, talvez o vermelho e a cara feia já sejam o suficientes pra ilustrar o que é o hoje nessa vida de quem usa batom.
Só posso me perguntar por que é que os hormônios fazem isso com elas.
E AI DO HOMEM QUE OUSAR RESPONDER!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Momento de falta


Ultimamente as palavras têm me faltado em variados momentos. Inclusive nos que a maioria teria muito a dizer, acredite: nesses também! Acho que esse meu diagnóstico pode ser devido à férias!(Será?) Bem, já ouvi casos em que causasse isso em alguns. Acho que a sobra de tempo, o lazer em excesso... bem, num sei. Talvez não. Talvez seja só um momento em que minha língua e o que vem antes dela na produção da fala, de greve estejam. Na verdade, meu estado não é tão caótico assim, não me emudeci por completo, se não nem aqui estaria. Ora, o que é esse momento senão uma expressão de palavras?

Aliás, vê se não é engraçado essa vida de fingir de escrever? Falo aqui sobre o que me dificulta nesses últimos tempos e, posso assim, justificar minha escassa produção. Porém, minha intenção neste texto vai além dessa justificativa. Quero também refletir sobre o silêncio, ainda que faça isso tagalerando...


Há quem diga que ele incomode, há quem o interprete como vazio. Há quem fuja deste momento. Há quem fique ansioso com sua presença. E sabe? Na maioria das vezes assim o sou. Porém, quando as palavras me somem, não tenho escapatória: tenho de encarar o silêncio! Tenho de enfrentá-lo e descobrir, então, o que há mim. Pois, quando nos silenciamos, podemos ouvir-nos por dentro. E abrir nossos sentidos, ouvindo o que é que haja para ouvir que a turbulência outrora nos ensurdecia. Podemos aprender na quietude. Conosco mesmos. Com ele. E ai é que percebemos o valor desse momento de estarmos sós com o silencio. Percebemos que o vazio pode ser recheado de significado.
De repente o meu momento de falta é valioso.
Talvez não precise mais chamar de “diagnóstico”, que remete a doença.
E porque posso encontrar ali meu Salvador.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dias agora


São variados dias que remontam essa hora
São variadas horas que remontam meu minuto
São misturados sentimentos que me remontam por inteiro

E posso sentí-los mesclados
Posso vivê-los todos.
Agora.
Somente agora.

sábado, 14 de junho de 2008

Poesia nossa



Às vezes fechamos os olhos e enxergamos além.
Às vezes cruzamos os braços e sentimos além.
Às vezes cruzamos as pernas e andamos muito.
Às vezes andamos, corremos e voamos mesmo sem asas, sem pernas e sem estrada.
Às vezes nos deslocamos desse chão e trilhamos caminhos mais altos.
Conseguimos sonhar de olhos abertos.



Mas há momentos e momentos....


Às vezes a poesia parece desabitar-nos.
Sofremos. Padecemos. E nos sentimos sós.
Mas descobri.
Descobri a poesia desses momentos.
Surpreendi-me com sua presença no real vivido. Ela ainda me habita.
E na luta, no cotidiano, na sinceridade desfruto uma poesia plena, que ainda me é parceira. Degusto o sabor da poesia de viver.
Podemos todos tocar, sentir, pegar, pisar, chorar. Viver!
Onde é que há poesia mais bela?
Onde poderia estar poesia mais sincera?
Poesia esta que nos convive, que nos habita, e que nos constrói. Poesia do ser.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

(Sem título)


Vasilha vazia
Quadro sem cor
tinta sem voz

Há tanto o que falar
E tão pouco
Sobra tanto
E falta mais.


Olho para você
E afugento-me
Olha pra mim.
Encontrei coragem,
Você retoma seu lugar
E eu, agora, fujo,
Mais que correndo,
deparei-me com as vasilhas
Os quadros me saltam os olhos
E a tinta..... sem voz.


O papel só pode estar em branco.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sobre nós


A televisão anuncia os dramas da vida real. Pela janela um cinza e uma chuva fraca e infinda. No andar de cima quietude e silêncio.

Aqui embaixo não olhamos para isto. Não enxergamos nem a nós. Estamos tão livres de nós que vivemos respirando o ar que desejamos. Respiramos um ar diferente de antes.

Já vivemos tanto juntos.... e cada encontro o ar é único. O clima é único. O clima de hoje é mais que frio, o céu tem outras cores além de cinza. Ainda não sei o nome dessas cores, ainda não sei dizer desse outro clima.

Os anúncios, o céu, o andar de cima não podem ser todo o nosso sentir. São eles e algo mais. Eles não definem nosso viver. Somos livres, ninguém poderia nos definir. Nem nós nos definimos mais. Vivemos. Voamos. Livres.

A televisão insiste em seu parecer sobre nós e sobre o mundo, o céu e a natureza ainda nos desejam uma cor, um clima, anseiam definir nossas horas e o nosso dia. O andar de cima se cala. Mas ninguém rouba a nossa leveza, a brisa que nos embala, as asas que usamos sempre. O sorriso e a paz de ter a altura do nosso mundo.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ausente


Olha para mim e me diz se eu não sou idêntica à sua decepção. Não é auto-piedade. Não querida, é que me vesti do que fizeram contigo e agora faço com o meu próximo. Justo eu que ouvi todas as suas mágoas, justo eu que quis tanto acolher-te agora causo a mesma dor. Causo e agora precisam de colo. Mas não do meu. Não posso ter um colo que sirva de consolo, sou o colo do desgosto. E me fiz tão desgosto quanto o que você um dia sentiu. Magoei alguém e magoei na mesma medida que te magoaram. Por favor, não há nada que me caiba fazer. Não há nada, nada. Vá lá por mim, então. Vá lá servir de consolo, minha amiga. Vá lá que você entende, vá lá que já fizeram isso contigo.

E quanto a você, meu atingido. Não posso dizer desculpa, nem pedir perdão. Não tenho como encarar-te. Fiz a maldade que não poderia com quem nada disso merecia. Você foi sincero demais para ter uma decepção desta como resposta. Mas vê pelo lado bom, o que restou a ti foi um lugar sem mim. O que sobrou disso tudo foi um lugar a salvo. Porque a mim restou um lugar sombrio, sem você e mais longe de mim. Restou o amargo. A ausência da culpa. Restou a ausência.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Chuva



Deixou no chão a última peça e delicadamente caminhou nas pontas dos pés. E como um dedilhar cada passo era um toque singelo. Quiçá o chão sentisse, sentiria tamanha leveza que lhe seria carinho.


Um frio com raízes internas e um frio que lhe subia do chão, pelos delicados pés.

Já era tarde, e seu sentimento de solidão transpunha a pele, transpunha os limites da alma, alcançava o corpo. Seu corpo respondia a solidão, estremecia de frio. Tanto que, de repente, o frio era real. Na mesma medida da solidão.


A luz amarela fraca no banheiro trazia doces lembranças. Dos dias naquela velha casa, com aqueles seus velhos: velhos amigos, velhos hábitos, velho quarto, velho refúgio, velho ser...
Estava em silêncio. E queria sentir. Pensar era excedente para este momento tão transcendental de se aquecer, de tocar. Um sorriso surge sim ao se deparar com essas doces lembranças. Mas ansiava rodar a torneira e sentir a água quente relaxando e tocando seu corpo. Precisava do toque, e a força, a harmonia com que ela desceria nos muitos pontinhos acima de sua cabeça, proporcionariam quietude. Os pés, então, se interrompem na sua jornada. E assumem o natural de si, a sabedoria de escolher o caminho, a sabedoria de andar... voltam. Apagam a luz. Agora ninguém atrapalharia seu momento. Nem as mais doces histórias interromperiam o toque que a água lhe seria. Nem um só som mudaria o silêncio e a paz desta chuva.

Abre e sente. Molha seus cabelos e umedece o corpo até amolecer a alma. Fecha os olhos. Não existe mais mundo. Só os seus sentidos e a chuva. Sente o derreter da solidão, o desaguar de si. O carinho. A chuva e o amor.

E agora percebe como é incrível ser um conjunto de tudo isso. Um conjunto de secura e umidade, um conjunto de alma que esfria o corpo. Um conjunto de corpo que esquenta a alma. Um misturar de si com a chuva.


______________________________________

Ah...fui indicada lá no Entre Vistas (http://entrevistasvirtuais.blogspot.com/) ...

domingo, 20 de abril de 2008

Suposta indiferença




Avisto-te ao longe. Olho pra cá, me pergunto se deixo esse silêncio persistir. Sabe que não existe nada mesmo nesse ar que respiramos. E já te disse isso. Mas no coração pulsa uma incerteza latente do todo que fora dito. Do todo que fora assumido. E de volta tenho a dúvida: qual é o problema, então? O problema não é você e nem eles. Nenhum deles. Nenhum de vocês. O problema insiste em morar comigo, meu amigo. Mora comigo. Mora aqui essa síndrome, esses não- resolvidos-sentimentos.

Então não falo. Não pergunto. Não cumprimento. Passo de largo, e olho pra cima, olho de lado, pra baixo, menos pra você. Pode ser pedante ao seu ver, mas saiba que é fruto de uma incerteza paciente que não foge daqui, uma angústia cruel de assumir te conhecer, de assumir conhecer o amor. De admitir minha identidade. Passo de largo. Não te vi. Será que você me viu?


Será que logo você que é tão cheio de si, tão resolvido, que mora tão longe dessas incertezas, desses não-resolvidos, será que você alguma vez já passou de largo? Será que você entende o que é esse passo que se mostra tão indiferente?

Você vê, você pega, você vive. Sabe o que pensa, você é realista. Você passa, cumprimenta e espera. Espera a resposta. Você espera. Mas não te conheci. Não te vi.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Campanha contra o analfabetismo!



Mais que não decifrar códigos de escrita, ser analfabeta é viver à margem da sociedade. À margem de uma rotina de vida centrada na escrita. E nós, alfabetizados, nem percebemos, nem conseguimos imaginar mais como é viver fora da esrita, já que estamos tão acostumados a este estilo de vida.


Este post é em defesa de uma educação democrática de qualidade para que o saber seja direito de todos, que a cidadania seja plenamente exercida, que os olhares se voltem para os marginalizados, que os marginalizados tenham acesso à consciência de si, de seu papel social e que a luta nos leve a algum lugar. A um melhor que este!
O que fazer contra o analfabetismo?
1) Formação do educador - Acredito que cabe aqui citar Paulo Freire que nos deixou uma herança riquíssima e reconhecida internacionalmente. Os educadores devem investir na sua formação, o governo deve investir nessa formação! Paulo Freire (principalmente na Educação de Adultos) tem um papel importantíssimo! Que seja incentivado a leitura de seus textos, que seja real essa formação crítica e prática, rica teoricamente e capaz de relacionar com a rotina do trabalho.
2) O valor do Educador - O profissional da educação carrega consigo uma responsabilidade social muito grande e a sociedade civil tem o DEVER de reconhcer isso. É papel das autoridades e dos cidadãos valorizar o educador. Que seja reconhecido seu valor no aumento dos salários, no tratamento como um ser merecedor não só de respeito mas de admiração. Que seja reconhecido o valor do seu trabalho!
3) Que o educador tenha consciência de seu papel social, do que implica sua ação. E que sua ação não seja uma prática pela prática, mas que se baseie em uma reflexão e entendimento crítico, um entendimento que gere uma nova prática.
4) Que o governo invista na Educação Básica.
Que a luta contra o analfabetisnmo seja percebida na sua completude. Na sua completude já que não se restringe a aprender a ler e a escrever, pois não pode-se desconsiderar o processo de tomada de consciência! A luta não pode estar vencida se todos tiverem acesso à 1ª série do ensino fundamental. Se isso acontecer, será um avanço, mas não o fim da luta! Pois a luta é por essa consciência, é por uma Educação completa, uma Educação democrática de qualidade!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Silêncio...


As palavras me são problema quando pronunciadas. Saem como que sem rumo e tantas vezes tomam um caminho incerto, indevido. Não podem ser apagadas, já se foram e nunca mais retornarão. Retomam sua vida própria, retomam sua altivez e são interpretadas por aí de alguma maneira, nem sempre atingindo o objetivo inicial: o meu objetivo. Mas quem é o dono delas afinal? São tão loucas essas palavras, são tão próprias que, ao pronunciadas, se tornam auto-suficientes e fazem o seu próprio percurso. Espanto-me com elas. Amedronta-me tamanha vivacidade.

Sentimentos meus tão íntimos são tentados a se exporem, mas essas maldosas palavras que estremecem qualquer ser pensante, os sufoca. Sentimentos esses que continuam ali, vivos, se enrijecendo, se petrificando. Petrificam-se por não se exporem, por não se posicionarem de uma vez por todas, por não refazerem-se através da oralidade. Antes, fazem mal a si próprios numa ilusão insana de engrandecer o poder dessas palavras, de exaltá-las na sua crueldade. Quanta auto-piedade!

Cruéis palavras que são tão minhas quanto esses auto-piedosos que parecem inexprimíveis sentimentos.

Luta interna. Silêncio.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Reencontro

Acho que aqui é o melhor lugar. Acho que aqui é onde a gente pode chegar pertinho e olhar nos olhos um do outro novamente. E veja. Olhe bem. Há tanta tristeza no meu canto do quarto, no meu olhar baixo, que não posso conter essa enxurrada de lágrimas salgadas que chega até meus lábios, amargando a alma. A luz no meu canto está fraca. Bem fraquinha. Mas não existe aquele tom romântico rústico, existe a velha tristeza fria que cala, que arranca as palavras. Agora você vê?
Admito que fracassei. Fracassei ao tentar decifrar esse meu sentimento a você. E não poderia persistir na tentativa, não poderia. Você veio quando soou minhas badaladas, quando a areia branquinha daquela minha ampulheta deslizou-se por completo e anunciou o momento. O momento da minha desistência, o momento que dei conta do meu cansaço. E você percebeu essa areia, ouviu as badaladas. Você atendeu... você está aqui!
Aqui, ao olhar-te, tenho de volta o meu abrigo, esse teu sorriso de menino que é só meu. Já te disse isso muito, mas assim como não canso de repetir, você nunca se cansa de ouvir, o quanto teu sorriso me chama atenção quando nos reencontramos. O quanto teu sorriso me lembra toda a história, as boas lembranças, me lembra você por completo. Lembra desses nossos encontros aqui e me faz retornar a minha casa, a minha essência.
E agora.... ah.. agora posso transbordar a luz que faltava ali no canto só de fitar teus olhos e sentir que fitas o meu olhar tão verdadeiramente, tão profundo. Essa troca de olhares parece, por um instante, ser suficiente já que há o encontro de nossas almas. Parece então, traduzir tudo nosso, porque sabemos nos comunicar com os olhos e nos entendemos tão bem. Mas sabe? Pra mim o nosso encontro não terminou aqui. Não terminou nesse olhar. Ainda quero saber o que há além do teu sorriso, quero enxergar e tocar no teu sentimento, pois não posso continuar tão longe do que é você. Quero me aproximar. Quero me recostar. Quero poder te encontrar sempre por aqui. Quero só poder ver o que é que há agora em você. Desejo saber do teu canto do quarto. Quanta luz há ai? Ainda dá pra ver da janela? E contemplar esse céu chuvoso nosso? Vamos? Abre sua porta e me deixa ver, me deixa tocar, me deixa decifrar.....

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Junção única de vida


Que diferença fará?
Se morrer ou prosseguir a respirar?
Se inchar ou desinchar?
Subir ou não?
Querer então,
Ser ou não!


Se os ventos soprarem
e arduamente se esforçarem
e expressar, e falar, e falar...
De nada vai adiantar!


Não sei o medo!

Não sei o medo, nem o amor, nem a alegria....
Não sei o visível..

Que diria desse invisível sentimento?

É a própria vida...
Juntam-se, então, meus desconhecidos,
Meus não-limitados em palavras,
Meus experimentados em um pulsar,
Juntam-se, e o são!São vida!
Já não sei a própria vida!

Antes a junção - essa vida aqui - fosse de outro
Antes existissem duas delas...
Ah.. mas é tão única, é passageira!
É tão minha
É só MINHA!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Presente de flor





Escolheu o vestido lilás que enchia o ar de nobreza. Colocou as meias-finas. Enfeitou-se com cuidado. Encaracolou levemente os cabelos, com paciência e devoção. Amarrou o laço nas costas, era grande como de princesa. E podia ver-se assim: uma princesa.
Abriu a caixinha de música e ouviu aquela canção doce enquanto escolhia seus brincos. Aquela canção se tornou única, se tornou tema. Ele talvez nunca saberia disso, mas como ela a ouvira hoje, e tudo o que vivesse hoje, a marcaria para sempre. Nem sabia se existia letra nesse chiado de música, mas aos seus ouvidos soava como bela o suficiente para desenhar-lhe um sorriso. Os brincos eram harmoniosos com o seu conjunto de delicadeza, e a conferiam um brilho doce, um sorriso bonito. O perfume era a fragância colhida das flores. O hidratante amaciava aquela pele nova e viva. Abriu a gaveta dos sapatos, e, depois de muito procurar, conseguiu encontrar exatamente o que precisava: sapatos delicados e seguros, capazes de ajudá-la nesse caminho de ansiedade, caminho de vontade de chegar, caminho que a levaria até ele. Não bastava todo o preparo sem a caminhada, precisava prosseguir. Pois, havia acordado só pra levar até ele aquela flor.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Corpo de menina


No peito, a dor da obrigação de viver se instalou naquele que fora tão vivaz um dia. Suas mãos já não eram tão macias, não mais aquele aspecto hidratado e vivo, antes exibia sua falta de cuidado e amor próprio, exibia sua necessidade de cuidado. Seu olhar perdera o antigo brilho de menina, o brilho de estrelas. Sua pele expurgava sua culpa, escancarava a dor latente, a dor paciente que persistia em morar no seu endereço. As unhas eram fracas e curtas, ali estavam expostas suas lentes. Lentes que lhe permitiam enxergar a vida, e a enxergava com demasiada ansiedade. Roia-as compulsivamente, mordia as pontas dos dedos como num ato insano, uma vontade incontrolável de diminuir a angústia do tempo, a angústia da hora, a angústia de ter esperado, a angústia imensa de ter errado. Seus pés andavam menos, queriam menos, traçavam menos caminhos, estavam cansados. Estavam descuidados. Perderam a trilha da promessa de prosseguir, perderam-se no caminho, esqueceram-se da simbologia das sandálias, das que remetiam a sua missão, a missão de caminhar. Sua boca não se saciava facilmente, precisava de muita água, precisava de alimento, e, em todo tempo. Tinha necessidade de carinho, de atenção, de cuidado. Seu cabelo estava ralo, suas bochechas caídas e ombros como que se arrastando, apontando para baixo. Seu corpo clamava por inteiro, seu corpo exalava por inteiro, sua complexidade de ser humano cantava em uníssono a melodia mais triste do seu coração, a melodia do seu desespero. Desespero conformado e calmo, coração triste. Um desespero latente com o qual se acostumara a conviver.

Mas, ainda assim, havia amor. Amavam tanto essa mulher triste. Amavam-na e pronto. Queriam apenas a garantia de tê-la por perto, de vê-la sorrir. Amavam-na com o amor mais puro. Amavam-na como uma flor, e a tratavam assim, com delicadeza, com leveza, como menina. Ainda viam aquela menina que brincava com as borboletas e os passarinhos, a que trazia mel e gostava de cuidar das plantas. Lembravam com esperança da menina. Lembravam da mulher que cuidava da sua casa com carinho, que tinha gosto pela vida. Acreditavam que podia ter de volta o brilho dos olhos e da pele, a luz dos cabelos, o riso solto e genuíno. Ter de volta o antigo corpo de menina, o corpo que exalava vida.

Ela também tinha boas lembranças de si. E sentia todo esse clima de amor, sentia toda a áurea de paz que a cercavam. Percebia a sensibilidade e o cuidado dos que a amavam.

Mas o barulho vinha de dentro, e era ensurdecedor. O amor que inexistia era o seu próprio.
Precisava, urgentemente, deixar vir a cura.... deixar o amor vir para dentro, vir para si.
Mas enquanto não se abrisse para isto.... o barulho continuava, o corpo prosseguia gritando. E seu corpo de menina ficava cada vez mais distante.

terça-feira, 11 de março de 2008

Caminhada


Não há pegada alguma no chão
Não mais.
Não porque não tenha andado por ali
Andou e andou muito.

Olha pra trás e vê muitos vestígios
Passos firmes que um dia foram seus,
Passos de marcha,
Sim, ele já marchou um dia.

Agora não há passos,
As pegadas sumiram
Não há pés no chão
Não há chão
Há areia, e ela se mostra,
É movediça
Os passos agora afundam
Não mais pegadas.

Anda mais forte
Na tentativa de sair do instável,
Do chão que se fez seu,
E o desespero é latente.
O coração palpita.

.... Respira fundo e tenta se acalmar...

Observa, analisa
O chão
Percebe que fez o chão
Fez ser, assim, areia
Areia que se move.

Lembrou da marcha
Lembrou do ontem firme
Do chão seguro
Lembrou profundamente triste... não há mais chão!

Mas viu no espelho
Seus pés, suas sandálias
Os companheiros de marcha
Não o haviam deixado.

E ela também veio a sua mente
Ela que persistia em percorrer todo esse caminho ao seu lado
Ela que marchara com ele
Ela que o enchera de coragem

Ele a havia abandonado
E afundara.
Ela ainda batia na porta do peito,
Calmamente:
- Existe um lugar pra mim?
Ele ao cair em si, agora a vê tão perto, tão linda:
- Entre. Sempre existiu esse quarto aqui para você!

Não há chão ainda,
Mas não se afoga mais
A Esperança agora está no quarto
Ocupa todo o peito.
Reacendeu ali o amor,
Amor pela vida,
Amor pelas suas pegadas
Ele quer intensamente andar, quer viver!

sábado, 1 de março de 2008

Multidão


E se ia a multidão...
E se juntava em multidão
E se formava a multidão!
Mas nenhum ali se via como multidão
Estava ali, mas se via só
E o era assim
A multidão mais multidão já vista:
Multidão de sozinhos, multidão interior

Uma multidão de pensamentos que seguiam o fluxo
Que prosseguiam no seu “traçado” destino
Que se moviam ao vento
Pois não há outro que a impulsionasse
Apenas caminhava
Em lentos passos.

Lentos conformados, lentos acomodados
Lentos pés que ainda andavam.
Ainda a andança, porque ainda havia vento,
E mesmo aos domingos, o vento não parava.

E engraçado é que a multidão,
A que concretamente tinha pernas,
Já havia parado de andar há muito tempo!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Música alta!




Música alta....
Tanto que nem me ouço...
Tão forte que esqueço a fraqueza..
E o ritmo me contagia...
Nem vejo meu descompasso
Nem percebo meu medo de errar o passo
E ele nem existe mais ....
Não lembro de passos
Só faço... só me gingo.
E faço o meu passo.
Então eu posso chamá-lo de qualquer coisa que quiser
Porque é bem meu.
E nem tem ninguém pra ver
Você, meu passo, meu gingo, meu mimo
Você, que diz de mim, do meu jeito
Do meu olhar e das minhas vistas
A você, que quero me entregar
E soltar,
Levar leve...
Saltitar suave
E vislumbrar docemente
Muito ritmo, muita dança, muita esperança e
Muito riso..... no meu passo, meu mimo de vida!
'
Dois amigos queridos fizeram uma resposta a esse poema
Muito obrigada!

ELES e "a gente"


- Então a gente se consola
A gente brinca e pode brincar
A gente se diverte e se encontra
A gente se cria e remonta
A gente pode ser a gente
A gente pode mudar de cara
A gente quer ser diferente
Pode ter a cor que a gente sente!
Mas me responde...e ELES?
ELES só podem aprender com a gente!

-Será?

-Acho que podem sim. Com o tempo, eles aprendem a aprender com a gente.

-Sei não. Eles me parecem bem satisfeitos.

-Ah.. mas são só ELES. Num falo apenas do pronome não, pois, ser ELES, nunca é bom. Acredite!
-É. Talvez você tenha razão, mas ainda acho que eles não estão querendo saber de "a gente". E quem disse que não somos ELES?

-ELES????? Não, não, meu caro. Sabemos que somos só "a gente", a boa gente, a de descendência de Pedro Álvares Cabral. O máximo que podemos trocar aqui são ensinamentos, vindo de nossa parte. Sabe por que? Porque pegar chuva não é bom não! E olha como eles fazem, se lambuzam dela! Nós temos guarda-chuva, vamos mostrá-los como se vive! Enquanto caminham pelas praias, nós temos os carros. Sabemos da vida. Sabemos de viver. Enquanto eles plantam e colhem, compramos enlatados. Eles ainda cuidam do ambiente, cuidam da vida. Nós já sabemos do Aquecimento global, nós crescemos na ciência. Eles acreditam no amor, e olhe para nós. Nós já sobrevivemos a Duas Grande Guerras. Sabemos, meu caro, que o amor não existe mais em nós. Sabemos da nossa pagã realidade. Vivemos a liberdade!
Eles ainda acreditam no casamento. Nós já nos decepcionamos bastante, crescemos, evoluimos, não somos presos a isso. Não precisamos de compromissos. Eles, acima de tudo, ainda têm esperança....e veja no espelho. Veja o que de nós resta! Resta-nos apenas o presente! E vivamos o presente.... quem se importa com o que virá amanhã?

-ELES!!!! ELES se importam!

-ELES. Viu? Agora você entende, meu caro, não são ELES. São os ELES mais diferentes da gente que já conheci. E ainda me privam de chamá-los de loucos! ELES precisam aprender!E aprender com "a gente"!
( e o outro pensa, mas pensa:" ainda acho que quem são ELES é a gente!")

______________________________________


Ganhei mais alguns selinhos.... do meu amigo Zy!!! Muito obrigada pela homenagem...



Dedico a:

Alberto, de Meu telescópio,
Fernando (Butiá), de Paraíso Perdido,
Ju, de Quintal de cores,
Rafael, de Mia Geodésica,
Lucas(meu amigo lindo), de Lucania.


Agradeço muito, muito aos meus amigos do coração:
Filipe (O mundo de sofisma) e Fernando Lee! Obrigada pelo incentivo a continuar a escrever e pela amizade tão real e verdadeira que temos! Amo vocês!

Ah.. espero que tenham gostado da minha nova cara! :)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Aquele par de brincos


Era noite,
Escolheu os brincos,
Os mais lindos.
E eles reavivaram sua alma.
De olhá-los, o brilho voltou
Para esse par de olhos.
E aquele par de brincos a fez lembrar do amor.
Reacendeu o que amava.
E se lembrou.


Lembrou-se do dia que o sol brilhou
Para aquele par de mãos dadas
Aquele par de amigos
De irmãos,
De unidos, de amor.
Lembrou-se de quando os recebeu
De quando recebeu os brincos,
E da quantidade de carinho
com que foram escolhidos.

Eles ainda brilhavam
Pedras tão reluzentes
que trouxeram de volta
aquela tarde de escolhas,
aquela que fora tão quente.

Foi se arrumar e se lembrou
Agora não quer mais esquecer.
Nunca mais.
Daquele par de brincos e daquele seu par de amor.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Meu mundo azul


Em algum outro lugar
Um lugar irreal
Onde tudo pode ser...
E nada, nada é.
Nada concreto.
Jogo de imagens
Imagens.... pessoas
Que se imaginam
Que se sonham
E se idealizam...

Um lugar onde não há carne e osso
Onde há reflexos
Um lugar aqui
Como eu queira...

As pessoas são
O sonho de mim
Não vivo do que é vivo
E caio alto
Caio profundo
Mergulho ilusão.

A realidade me olha distante
E eu insisto: não!
Prefiro meu mundo que é azul
Onde gente não precisa ter carne nem osso
Onde gente pode ter muito bom gosto
E ser do melhor jeito que se tem de ser.

E continuo a avistar,
ao longe,
A terra...
O chão.

E penso: Quando meu mundo azul tiver fim...
Será que aí então viverei?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pena leve


Agora sou pena!
E que pena!
Leve, porque a usei...
Leve e calma porque sei que, com tinta, sai cor.
Sai sangue,
E escorre.
Escorre alívio e cura
Traz paz e calmaria.

É uma pena...
Não a ter usado antes..
Se dela posso me esvair
E dizer...
E fazer brotar o novo
E (des)cobrir-me....

É a ela que me apego
E que apego! Não a deixo.
Meu novo lugar! Que pode ser real!
Que não precisa ser em vão...
Que me entende,
Meu lugar que me traduz e me decifra.

Meu lugar, minha pena!
Pena, não todos terem essa pena.
Que realmente tem aliviado o meu penar!

Pensando e ensinando


-Fiquei pensando hoje.
E pensei muito mesmo.
Um turbilhão de coisas.
Uma tempestade de pessoas.
Uma imensidão de sentimentos.
É. Daqueles mesmos.
- Quais?
- Dos que não tem fim, dos que não conhecem o raiar do sol, dos que não sabem que a noite termina e, aliás, nunca nem perceberam a existência dessas palavras. Conhecem só outras, outras bem diferentes.
-Sei, sei.
- Você as conhece?
- Quem mesmo?
- Essa profundeza de coisa... essa estranheza de coisa, essa enorme pobreza... que não tem fim.
- Hum..acho que já ouvi falar sim.
- Quem te disse?
(pausa e silêncio)
- Hein? Quem te disse delas?
- Ah.. num sei. Acho que você mesmo. Num foi você, não?
- Unff.... eu???
- É.
-Mas é claro que fui eu. Eu estou falando agora!
- Se sabe pra que pergunta?
- Quero saber se entende o meu desabafar.
- Ahn.... mas isso é um desabafar? Ninguém me avisou.
- Tá vendo como você é. Você não entende de coisas sem fim. Você não entende porque nunca as viu, nunca as sentiu, nunca as presenciou. E sabe? Pra mim elas são tão reais, mas tão reais, que as alcanço, que as concretizo, que as vejo.
- Vê?? Mas não eram sentimentos agora a pouco?
- Você não percebe mesmo. (com ar de tristeza)
- É? Você acha que não percebo?
- Acho que não.
- Queria perceber...(triste) queria saber. Me ensina?
- Só estou falando do que sinto. E pra isso não tem regra não. Abra a boca e tente com seu mais aguçado sentido descrever o que tem ai dentro. E se ninguém entender.... no fim você tirará sua conclusão.
- Então se eu falar eu vou conseguir entender de sentimento e de coração?
- Não disse isso.
- Não?
- Não. No fim de tudo, terás vivido o que sentes com a mais pura sinceridade, com a mais apurada vontade de enxergar melhor, de ter vida e de trazê-la para o mais perto de ti, para dentro. Não se preocupe em como exalar tuas palavras... pois se assim fizeres, sairá sim a mais bela canção. E os poetas não são aqueles que entendem de coração e de sentimento. Poetas são aqueles que assumem não entender-se, são os sinceros, são os amantes, são os que buscam a vida e a traz para as palavras. Eles vivem no quadrado de si, mas dedilham doces sons que se vão com o vento e transmitem, expressam seus quadrados mais intensos em dias mais bonitos ou mais tristes. Esses são os poetas.

Meus sentidos


Ouço,

Farejo,

Vejo,

Percebo, então,

O quanto, o tanto...

Estou vazia

E não agradeço...

O quanto sou falha

E só falo...

O quanto não faço

Não mereço...


Fujo de me despir

Fujo de mim

Não quero ver

E me ater

A me perceber

Que o falar seja de outro

Que o exalar venha de outros

Que a exposição seja do outro.


E me rendo a minha própria armadilha

Não resisto

Não faço, mais uma vez

Não grito, de novo

Não falo,

Não quero,

Não exalo,

Não mudo.


Não sou...

Mais uma vez.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Porta fechada




E o interruptor estragou! Escuro e frio. Ele fica ali no canto, de pernas juntas e dobradas. Ele as abraça. Porque é o que tem pra abraçar. São elas o seu consolo. E se joga nelas. E as ama, porque só as tem pra amar.


Não há janela e, na verdade, se há, não dá pra achá-la. Tá tudo triste.


A porta está fechada há anos. E por dentro. Para ele ficar ali.. no canto.. em paz... com suas pernas.


Não dá pra olhar para o lado, não vê nada em cima, mas se acostumou com isso. De vez em quando, inventa de querer, de sonhar de sair, de voar, de ver por uma janela. Mas está cego. E triste. E parado. Só anda em pensamento.


Não vive o que devia. Se tranca. Não faz como queria, só sonha. Só imagina.


E o pesadelo é o que lhe resta de concreto, mas não tem mais medo, porque no escuro só tem ele e suas pernas. Ninguém vai aparecer....nem fantasma... porque ele trancou por dentro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Aninha e Alfredo



Aninha vivia desde adolescente algo que já era acostumada. Era natural: o ódio. E isso funciona assim: quando se odeia alguém, a ira pode ficar contida, o sorriso é capaz de aparecer, o cumprimento, talvez até um abraço. Respira e conta até 1000 se preciso. Se isso não acontecer, pode se perder outros amigos, outros colegas. A sociedade e os outros não aplaudirão uma demonstração de descontentamento. Mas, na verdade, Aninha vivia outra realidade. Ela não tinha problemas com ninguém. E sabe? O ódio dela era por ela mesma! Então, quem a impediria? Ela se odiava e demonstrava isso sempre que podia em forma de auto-boicote. Ela se boicotava, se odiava e se perdia cada vez mais. Afundava-se nos seus próprios conflitos e desleixos. Quem era ela pra ver o sol amarelo ainda? O sol tinha que ficar cinza e as tardes tristes de chuva tinham que entoar o cântico do seu coração. Nada poderia ser bom e feliz. Qualquer um sabia da felicidade, menos Aninha.

Alfredo sabia, e sabia muitas coisas. Sabia que o sol poderia ser da cor que ele quisesse, ele conhecia o céu, ele gostava da calmaria das tardes de chuva. Sabia como aproveitá-las. Para ele a vida era demais, a vida tinha vida, cor e canção. Muita canção. E melodia gostosa. Amigos eram irmãos muito queridos. Que soletravam juntos o significado esperançoso do futuro. Que sonhavam juntos em viajar pelo mundo. Que sofriam, tinham conflitos mas os superavam com uma disposição gingante de cuidar da pérola da vida, do motivo da existência. Ele sabia.... sabia sobre o amor! Ele se amava e amava a vida! O amor deixava seus dias melhores, o amor o transformava em dançarino. Dançarino bem ritmado!
#
#
#
Um encontro de dois mundos aconteceu.
#
#
Despedida e desencontro se sucedeu.
#
Despediu-se do cinza: agora, para Aninha, o sol pode ser colorido e gosta de imaginar as cores que ele pode ter. Há sim motivos para se rir da vida.
E desencontrou-se da sabedoria: Alfredo desaprendeu a aproveitar as tardes de chuva. Não gosta mais delas.
#
Encontraram-se na vida e mudaram de rumo, mudaram de alma.
Traduziram, então, o que significava relacionar. E entenderam o caminhar de mãos dadas. O caminhar de dois mundos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Queria saber...



Imaginei um dia como seria se um caroço de feijão resolvesse ser verde, não de estragado, mas de colorido. Será que a feijoada teria outro sabor? Queria saber qual o gosto...
E se um pingo de chuva resolvesse não cair nunca mais... os outros se renderiam a tentação de fazer molhar? Queria saber quantos sacrificariam sua missão...
Como seria se não acordásssemos com os passarinhos e se a música fosse apenas uma imaginação e não mais que isso? Queria saber se sobreviveríamos....
Se um por cento de mim fosse um por cento de outro, onde será que eu estaria? Queria mesmo saber....
Como seria a vida se o vento não existisse, se as cores não existissem, se a luz não iluminasse?

Queria saber, se um dedo da vida não fosse como é, para que lado o mundo então giraria.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Culpa e redenção


A última coisa que quero é que o meu pecado tenha castigo
E que o que plantei tenha que ser por mim mesma colhido
A última coisa que quero é ver o meu final
É ter o que eu mereço
E levar o que foi pra mim prometido.

Não quero viver pra ver como será
O dia em que eu pagarei
Por tudo que um dia fiz
E por tudo que deixei de fazer....

Cabisbaixa
Não prossigo.
Não há força....

[Silêncio]

De repente percebo...
Uma luz no alto
Que ilumina
Além do que digo ser!

E reflito muda....
Mudo tudo...

O erro existiu
E existe
O iluminar me trouxe luz
E agora há consciência: não há aqui perfeição!
Agarro-me a certezas que me são forças
A certeza de prosseguir..tentando
De prosseguir com esperança
Prossigo agora, então.


Posso perceber...Meu redentor age!
Tenho bastante espaço pra Ele agir...
Não preciso fingir
Ele sabe que não há aqui perfeição!
E é por isso que há para Ele um lugar, uma função....
E muito trabalho!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Gratidão


Analisando algumas coisas banais e fúteis (tanto que nem merecem ser citadas) me vi refletindo sobre a minha vida. E tenho a impressão de ser assim mesmo: são as situações um tanto comuns, rotineiras e talvez até banais que nos levam a uma profunda reflexão.
Um dia desses, algo que já me incomodava, de repente, mudou de formato e tomou um ar de urgência. E tudo começou a fazer mais sentido. Percebi a importância de um sentimento chamado gratidão, que sumira do meu vocabulário há algum tempo.
Gratidão é reconhecer um favor no sentido de agradecer de bom coração. É enxergar nossa pequenez e assumir uma posição positiva frente às mais diversas situações da vida. Omitir isso siginifica, além de proporcionar uma vida de baixa qualidade para nós mesmos, transgredir uma ordem divina.
Essa gratidão se diferencia de um conformismo que mascara a verdade e não reivindica direitos, não luta e se cala. É uma gratidão ativa, viva, forte, verdadeira e sensata. É ter sensibilidade para perceber o que é bom e o que não é, força para lutar pelo que precisa ser mudado e enxergar o lado bom das coisas. Não basta ter uma vida considerada boa para se viver bem, é preciso reconhecer isso.
O oposto de uma gratidão sadia é viver em uma ilusão. Ilusão de que o mundo pode ser perfeito, as pessoas podem ser exatamente do jeito que “devem ser” e que o mundo gira em torno de nós mesmos, segundo nossa “magnífica” vontade. É exigir de todos, do governo, da universidade, dos amigos, da família, etc, que se encaixem em nossos padrões para que satisfaçam nossas carências. Criamos expectativas sobre as pessoas e nos frustramos muito quando a conhecemos de verdade porque não correspondem ao nosso modelo criado de perfeição. Esquecemos que no nosso dia-a-dia vivemos com seres humanos e não deuses.
Mascaramos nossa personalidade de maneira a agradar os que nos cercam, alimentando assim, esse clima de mundo perfeito, onde ninguém tem problema ou defeito. Onde ninguém precisa de Deus.
Ter o coração grato é reconhecer a mão de Deus nas nossas vidas e perceber que tudo o que nos acontece Ele tem visto. É parar de responsabilizar os outros pela nossa infelicidade, é tratar mágoas do passado e atribuir a um propósito do Altíssimo. Somos pequenos demais para ditar como o mundo deve girar, mas podemos melhorar o nosso próprio mundo com a gratidão. Eu posso melhorar meu próprio mundo.

Voltar prosseguindo



Mudando de rumo
E voltando no caminho
Antes voltar que o prosseguir fora do rumo,
Que o persistir no inseguro,
Que se afasta cada vez mais do prumo.
Volto com a esperança
De trilhar de novo o caminho da segurança
Buscando o renovo
Que vem do alto
Prossigo, voltando.

Prossigo
Buscando o lugar
Que é meu
Que se fez meu.


Sem mais expectativas enganosas
Sem mais desencanto sobre o que vivo
Não mais o sonho,
Realidade.
Viver e reviver o que se fez real
Longe do mágico da minha cabeça
Me jogo no cinza
E agora, consigo distinguir o preto do branco
Ao olhar de frente
Tudo o que agora assumo
Meu mundo que se desaba
Para que outro se reconstrua
Nesse meu retorno.

Voltar e deixar para trás
Prosseguir voltando
Isso é dor e amor
Gosto e dissabor
Uma mistura,
Amarga e doce
Que me contrói em ser misturado humano.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ela ouviu adeus...


Ela está vazio imenso
E está confusão
Daquelas que deseja alguém por perto
Aquele exato alguém
Que a pode acalmar
Que a tem sem saber
Que a esmaga mesmo sem querer
Que a entristece sem estar
Que a esvazia só de a deixar
Que a enfraquece por não dizer
E os seus sonhos faz-se ir com o vento
E os seus desejos se tornam em angústia e sofrimento
O seu amor se acumula em mágoa
E sua mágoa seca o seu viver
Que vive erradamente por alguém
Alguém que se esquece....
E ela prossegue odiando
Odiando o fato de não conseguir nem por um segundo esquecer
Não tão fácil assim
Queria que só ele existisse
Mas queria que não a tivesse conquistado
Queria que o seu amor fosse por ela desprezado
Já que ele quem quis primeiro
Ele que sentiu algo dito verdadeiro
Ele que a quis assim
E agora que quem o quer é ela
Ele se vai
E diz ADEUS....

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Beleza



Para o belo, não basta ter poesia
Tem que ter mais
Tem que ser mais
Porque o belo não é tão estampado assim
É pra quem enxerga o que não existe
É pra quem constrói
Onde está destruído
E vê o minúsculo
Virar maiúsculo
Dá uma cambalhota
Remonta, reconstrói, refaz
Reinventa,... repete...
De novo,
E de novo,
E tenta!

Tem muito do procurar,
Também do se encontrar
No outro
Que é do outro
Não seu, o seu eu!

Ter o belo é ser
e aí a gente volta, de novo, pra aquilo do :
Ter (re)lutando com o ser
O ser humano é, de novo,
Alguém que repete
Que tenta e que faz
pra ser e ter o belo
Mas o que é tudo isso afinal?
A vida
Que é bela
Pelos meus olhos!