segunda-feira, 14 de abril de 2008

Silêncio...


As palavras me são problema quando pronunciadas. Saem como que sem rumo e tantas vezes tomam um caminho incerto, indevido. Não podem ser apagadas, já se foram e nunca mais retornarão. Retomam sua vida própria, retomam sua altivez e são interpretadas por aí de alguma maneira, nem sempre atingindo o objetivo inicial: o meu objetivo. Mas quem é o dono delas afinal? São tão loucas essas palavras, são tão próprias que, ao pronunciadas, se tornam auto-suficientes e fazem o seu próprio percurso. Espanto-me com elas. Amedronta-me tamanha vivacidade.

Sentimentos meus tão íntimos são tentados a se exporem, mas essas maldosas palavras que estremecem qualquer ser pensante, os sufoca. Sentimentos esses que continuam ali, vivos, se enrijecendo, se petrificando. Petrificam-se por não se exporem, por não se posicionarem de uma vez por todas, por não refazerem-se através da oralidade. Antes, fazem mal a si próprios numa ilusão insana de engrandecer o poder dessas palavras, de exaltá-las na sua crueldade. Quanta auto-piedade!

Cruéis palavras que são tão minhas quanto esses auto-piedosos que parecem inexprimíveis sentimentos.

Luta interna. Silêncio.

9 comentários:

Lucas disse...

eu to meio sem inspiração pra postar uma mensagem agora... mas deixo minha marca pra dizer q fui um dos primeiros a postar hehehe
orgulho besta esse meu, né?!
É essa mania de ficar falando ao invés de ficar em silêncio... bjus amiga

Rafael Dias disse...

Muito bom!
gostei das palavras ditas...

silêncio.

Juliana Caribé disse...

Silêncio...

Filipe Garcia disse...

Oi Bárbara. Que gracinha você entendendo o meu texto! O título é aquilo mesmo, rs! Dessa vez você merece nota dez... ahhauhauah!

Então, fiquei de comentar seu texto ontem, mas nem deu. Hoje eu reli mais duas vezes e descobri uma certa afinidade com o "Porão de entulhos" lembra? Aquela coisa da gente querer abafar algumas lembranças/palavras ou usá-las e nos descobrirmos insuficientes por não termos esse controle.

Agonizante o seu texto, como se a gente que lê ficasse esperando o seu grito sair da garganta com todo furor de palavras. E gosto de textos que me deixam sentir as emoções do autor!

Não vou falar que gostei porque isso você já sabe. Sua maturidade com a escrita tem me surpreendido a cada novo texto.

Beijos.

Georgia disse...

Barbara, valeu mesmo.

Até amanha entao.

Beijao

Bárbara M.P. disse...

Olá Bá!

Vim agradecer a visita e os delicados comentários lá no blog e encontro esta doce surpresa.. a tua página é uma beleza de se ver, Bárbara. Estou super encantada.
Voltarei para explorar mais com certeza, aliás seria um prazer tê-la linkada por lá, eu poderia?

Muitíssimo obrigada pela adesão à campanha, pessoas como você são peças fundamentais para modificar estes quadros de nosso país.

Um beijo querida,
Bárbara M.P.

:: Daniel :: disse...

Olá, Babi,

Esta semana foi um pouco tumultuada, por isso a ausência na blogesfera... =[

Mas retornei aqui para comentar as belas palavras do seu texto. Realmente, o que se diz marca, o que se escreve marca -- nós somos marca no mundo, não é verdade?

A profissão me instruiu, de certa forma, a selecionar bem as palavras que eu uso. Cada qual tem seu peso, sua medida, seu impacto e sua intensidade.

Beijo grande!

Meire disse...

Ola Barbara, recordando que amanha 18 de Abril tem a Blogagem Coletiva “O que voce faz para acabar com o analfabetismo no Brasil?”

Srta. Festa disse...

Gostei muito do post. Eu sinto que tem horas em que a melhor reposta que a gente pode dar, em certas ocasiões, é simplesmente o silêncio...

Mas muito bom o post, parabens..^^