sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Saudade

Saiu sorrindo e contando os passos da roda de amigos até onde se ia. Saiu sabendo de seus passos e se acalmando para o que viria. Entrou, então, no banheiro, olhou-se no espelho de relance. Podia ainda ouvir o zunido de tudo o que acontecia lá fora. Mas agora podia estar ali, tão longe de qualquer coisa. Fechou a trinca e assentou-se afim de refugiar-se de toda aquela música, de todas as sorrindentes. Lá poderia admitir o que tivesse em mente. Foi lá encontrar quem ali não estava. Foi estar só.
E estar só significava deixar os pensamentos rotineiros tomarem conta. De repente já estava a imaginar além desse refúgio um refugiado amigo. E já podia sussurrar qualquer coisa que quisesse sobre o que tava acontecendo lá fora. Podia até dizer que era muito bom poder encontrá-lo ali. E rir de qualquer piada que fizeram. Imaginou então como seria seu olhar no momento de admitir que estava querendo ficar ali mais tempo do que poderia, afinal haviam outras pessoas esperando para usarem o sanitário para outro fim que não conversar com alguém que ali não está. Fez alguma jura, pediu um abraço e se despediu. Realmente precisava ir.

Engraçado isso: Deixar a roda de amigos para encontrar alguém que não está. Engraçado essa mania de trazer para o físico nossos problemas internos. Quem disse que paredes garantem um refúgio? Engraçado pensar que estamos sós, quem disse que ainda que sozinho não se está com alguém? Quem é inocente de achar que a ausência não é também uma presença desesperadora no ser do saudosista?

5 comentários:

Gustavo Bianch disse...

"ai ai vai ver é só você querer
distante imaginar
caberia a quem dizer
amor eu vivo tão sozinho de saudade"

"Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade"

"nem choro mais
só levo a saudade morena
é tudo que vale a pena"

(Trechos das canções Saudade, Janta e Sapato novo de M. Camelo)

Bjos

... disse...

Gosto de me encontrar de vez em quando... não por ser a minha companhia a mais agradável, mas gosto de aprender a ser eu mesmo quando me encontro...
gostaria de o fazer mais vezes... espero fazer isso mais vezes... Não gosto de fingir ser quem não sou.

Muito bom o texto...
bjus amiga!

Georgia disse...

Bela reflexao, com gosto de nostalgia, será?

Estou vindo aqui te convidar para um assunto bem interessante. Quem sabe você também vai aderir. Passa lá no meu blog para saber mais. Acredito que você tenha muita coisa para contar.

Obrigada

Alberto Vieira disse...

li e e nao sei o q dizer! Entende?

Gustavo Bianch disse...

Aiiiiiiiii q saudade!!!