quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ansiedade


Ela, encostada na cama, no fim do mês, no fim da noite, sem cigarro. Precisava dormir. E por mais que tentasse se distrair com um livro qualquer, sua mente lhe perturbava, a ausência lhe esvaziava.
Ao fim da primeira linha do livro qualquer, que pouco importa, seu olhar dedilha todos os elementos do quarto até alcançar a cômoda. Procura mais uma vez e constata: não tem nenhum cigarro lá. Nem unzinho!

O tempo passa nessa agornia de linha sem sentido e cômoda vazia. Até que alguém bate à porta. Ela responde. Pede, por favor, um cigarro. E o recebe. Sim, ela o recebe!
Feliz, o coloca na cômoda. Respira fundo aliviada. Assenta-se de novo, sorri de lado mirando-o. Pega o livro e deslumbra-se com sua capa. Agora admira seu título. Retoma, então, na primeira página sedenta pela historia.

Depois de linhas tranquilas e absorvíveis, fecha o livro, apaga a luz e dorme em paz.
Não, não era vício, não ia fumar. Precisava só da certeza da presença.
Lembrei-me de você. Precisava só da certeza da presença.

5 comentários:

Ivny disse...

interessante comparação!
mas Bárbara... cigarro faz mal...rs...
ainda que não se fume!

um abraço lindinha!

Gustavo Bianch disse...

Gosto da presença ausente, daquela que se tem sem ter, que sente sem ver. É a presença pela fé, a fé no outro.

Enfim, texto lindo como sempre!

Bjos

Filipe Garcia disse...

Oi Bárbara,

quando você leu pra mim esse texto, naquele dia, não me dei conta dele por inteiro. E agora tô achando ele bonito, rs. Não que eu não o tenha achado antes, mas tinha me passado despercebido essa idéia da presença. Basta um detalhe pro sossego vir. A presença não tem que ser matéria. Lembrança é presença.

Você, cada dia mais influenciada por Clarice, tsc tsc.

hehehhehe

Beijo!

Hariane disse...

Gostei de seus escritos!

Este é profundo, intenso, enfim mto bom.

Bj

... disse...

:)
bjus amiga!